2017

Sunday, 1 January 2017



PT
Desde que "optei" pela vida de freelancer que ganhei uma maior consciência de que nada pode ser dado como adquirido. Por muito que some sucessos, cada dia parece um recomeço e não são raros os momentos de pânico em que dou por mim a pensar que é uma loucura não escolher o caminho mais "fácil". Mas se calhar não existe um caminho fácil - ou talvez simplesmente sermos quem somos não seja uma escolha.

Uma vez li uma entrevista em que o João Tordo dizia que sempre tinha tido dificuldade em lidar com situações de exposição pública e a forma de aprender a ultrapassar isso não passou pelo hábito, mas sim pela tomada de consciência de que a alternativa não era uma opção. Parar não é opção, recusar ou fugir não é opção, conformar-se não é opção - e é esta forma de colocar as coisas em perspectiva que me faz encarar um novo dia com mais calma e a certeza de que ninguém pode vivê-lo por mim. E o que é o pior que pode acontecer? Na maior parte das vezes, se respondermos conscientemente a esta pergunta, vemos que no fundo não precisamos de ter tanto medo quanto julgávamos.

Não sei até que ponto escolhemos aquilo que nos acontece na vida. Não acredito que é o destino que escolhe por nós, mas há muitas decisões que nos sentimos obrigados a tomar mesmo sem querermos, seja pela circunstância, por influência da nossa educação, de pressões exteriores e interiores, por medo. Há demasiadas coisas que não conseguimos controlar - seja uma guerra ou um terramoto - e coisas que temos apenas a ilusão de que conseguimos controlar - a viagem que planeamos ao pormenor ou a aparente segurança do emprego de sempre - por isso resta-nos fazer um esforço para não deixarmos que seja a "vida" a decidir por nós todo o resto.

Esta composição de #2016bestnine que reúne as "melhores" 9 fotos do meu instagram (não, são só aquelas com mais likes) é, como todas as generalizações, talvez um pouco superficial e enganadora, mas não deixa de reunir algumas das coisas de que mais gosto e que espero continuar a multiplicar ao longo do ano que agora começou: viver a minha cidade e descobrir outras, a admiração pela arquitectura, pela arte e pela paisagem, ver o meu trabalho crescer e partilhar essas alegrias com aqueles que são especiais na minha vida - Frida incluída.

Um bom 2017 para todos!

EN
Since I "opted" for freelance life I've gained a greater awareness that nothing can be taken for granted. For as many successes I may have, every day seems like a fresh start, and the moments of panic in which I think it's crazy not to choose the "easy" way are not uncommon. But maybe there is no easy way - or maybe just being who we are is not a choice.

Once I read an interview in which João Tordo said that he always had difficulty dealing with situations of public exposure and a way of learning to overcome it was not a matter of habit but an awareness that an alternative was not an option. To stop is not an option, to refuse or to escape is not an option, to conform is not an option - and it's this way of putting things into perspective that makes me face a new day with more calm and the certainty that no one can live it for me. And what is the worst that can happen? Most of the time, if you answer this question honestly, you see that there's no need to be as afraid as you thought.

I don't know if we really choose what happens to us in life. I don't believe that it's destiny that chooses for us, but there are many decisions that we feel obliged to take even if we don't want to, through the influence of context, our education, external and internal pressures, or fear. There are too many things that we can't control - a war or an earthquake - and things that we only think we can control - a trip planned to the detail or the apparent security of a job of a lifetime - so maybe we should try to make an effort to decide the rest for ourselves.

This image of #2016bestnine that brings together the "best" 9 photos of my instagram (well, not the best, but the ones with more likes), like every generalization, may be a bit shallow and misleading, but it does not fail to gather some of the things that I most enjoy and that I hope to continue to multiply throughout the new year that have just began: living my city and discovering others, the admiration for architecture, art and landscape, seeing my work grow and sharing these joys with those who are special in my life - Frida included.

A happy 2017 for everyone!

4 comments:

  1. Te deseo lo mejor y que este año este reconocimiento a tu trabajo que estas teniendo se multiplique por 10. :)

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    1. Muito obrigada Carmen! Desejos de um feliz 2017 também para ti :) <3

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  2. Querida Ana, nao existe caminho mais fa'cil... E sermos fieis a no's pro'prios e procurarmos o que nos desafia e faz feliz e' a melhor maneira de viver a vida! Muito orgulho no trabalho e percurso que tens criado. Um excelente 2017! E concordo com a Carmen, que este ano o reconhecimento do teu trablho se multiplique por 10! Beijinhos!

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    1. Sim :) é uma reconfortante revelação quando descobrimos que o caminho aparentemente mais difícil é afinal o mais fácil, porque mais nenhum faz sentido... Obrigada por continuares desse lado Sara! Beijinhos e um 2017 pleno de concretizações!

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Ana Pina | blog

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