A Caverna // José Saramago

Thursday, 29 October 2015


[Messe Basel, Herzog & De Meron]

A gente habitua-se. Sim, ouvimos dizer muitas vezes, ou dizemo-lo nós próprios, A gente habitua-se, dizemo-lo, ou dizem-no, com uma serenidade que parece autêntica, porque realmente não existe, ou ainda não se descobriu, outro modo de deitar cá para fora com a dignidade possível as nossas resignações, o que ninguém pergunta é à custa de quê se habitua a gente.

José Saramago, A Caverna, p 249

PT
A lucidez de não reconhecermos nos outros a vida que queremos para nós próprios, a capacidade de não nos mentirmos, a certeza de, depois de vermos a luz, não sermos capazes de voltar ao escuro da caverna, por muito que seja difícil caminhar pelo nosso próprio pé e que olhar o sol de frente nos fira os olhos.

Importante ler também sobre a Alegoria da Caverna, de Platão, que prova como a condição humana faz textos com mais de 2000 anos parecerem tão actuais.

EN
About The Cave, by José Saramago.

The lucidity of not recognizing in others the life we want for ourselves, the ability not to lie to ourselves, the certainty of, after seeing the light, not being able to return to the darkness of the cave, even if it's difficult to walk by our own feet and if looking straight at the sun can make our eyes hurt.

Important to also read about the Allegory of the Cave, by Plato, that shows how human condition can make texts with over 2000 years seem so present.

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