As Histórias do Tio Remo

Thursday, 20 February 2014


PT
E a propósito da foto que tirei ontem no instagram para o desafio #desculpashámuitas, decidi investigar um pouco mais sobre as ilustrações de António Quadros na versão portuguesa do livro de 1959: As Histórias do Tio Remo.

O tema do desafio para a fotografia de dia 19 era a minha infância e quando me pus a pensar nisso reparei que poucas coisas tenho aqui em casa que me façam regressar a esse tempo... quase tudo ficou em casa dos meus pais: desenhos que fazia, livros que lia, fotografias que me eram tiradas - tudo que agora recordo apenas de memória, porque quando nos mudamos para a nossa casa deixamos para trás uma série de recordações que achamos não caberem no presente - em parte por falta de espaço, em parte porque no íntimo estamos convencidos que a casa dos pais é aquele refúgio que será sempre nosso e onde podemos regressar sempre que quisermos (eu estou).

Dou por mim a encontrar na estante As Histórias do Tio Remo e sou logo reportada para um tempo em que as fábulas faziam parte do dia-a-dia, em que as palavras tinham letras grandes e eram acompanhadas por ilustrações a que, muito provavelmente, só muitos anos depois conseguimos dar o verdadeiro valor.

O livro tem um cheiro estranho a tempo, está gasto e empenado, as folhas enrugadas, a capa já sem cor nos cantos, uma assinatura tosca está escrita na lombada - e no entanto este é o único livro da minha infância que trouxe comigo. Porquê?
Lembro-me perfeitamente dos meus pais mo oferecerem numa Feira do Livro, quando mesmo só conseguindo apreciar as cores das capas já gostava de me perder entre eles. Lembro-me de achar as histórias algo sinistras, entre lições de moral que implicavam partidas e maldades entre animais improváveis (como Cágados e Sarigueias), ora tolos, ora ladinos. Lembro-me do vocabulário antiquado e sobretudo das ilustrações que sempre me fascinaram, mas que só agora consigo realmente apreciar.

Mais tarde, comecei a guardar entre as suas páginas uma série de folhas e flores prensadas, para secar - algumas estão aqui há anos, mais belas do que nunca. E é sobretudo por isso que o livro continua comigo - usá-lo (e em parte danificá-lo) para abrigar este herbário desordenado foi a forma que encontrei de nunca me desfazer dele. As suas ilustrações são preciosas - e neste momento a sua história (para além das histórias que conta) também.

As Histórias do Tio Remo é um livro de 1959, publicado em Portugal pela Livraria Civilização. A compilação original  de Joel Chandler Harris remonta a 1881.
Sobre o ilustrador, António Quadros, vale a pena ler este artigo no imperdível blog Almanaque Silva.

EN
And concerning the photo I took yesterday on instagram for the challenge #desculpashámuitas, I decided to investigate a little more about the illustrations by António Quadros in the Portuguese version of the book of 1959: Uncle Remus Tales.

The theme for the photo challenge for day 19 was my childhood and when I started out thinking about it I noticed I have only a few things here at home that make me return to that time... almost everything is still in my parents' house: drawings I made, books I read, photographs that were taken - all of this I remember now only by memory, because when we move to our home we usually leave behind a lot of souvenirs that we think don't fit the present - partly for lack of space, partly because at heart we are convinced that our parents' home will always be a refuge we can turn to whenever we want (I am ).

I look around and find on the shelf the old Uncle Remus and I'm immediately reported to a time when fables were present on a daily basis, told in words with large letters and accompanied by illustrations that only many years later we can truly value.

The book has a strange smell of time, is worn and bent, shows wrinkled pages, a discolored cover in the corners and a rough signature on the spine - and yet this is the only book from my childhood that I brought me. Why?
I distinctly remember my parents offering me this book at the annual Book Fair, at a time when I only managed to enjoy the colors of the covers, but already loved to get lost among them. I remember to find the stories somewhat sinister, between moral lessons that involved some wicked tricks of unlikely animals (like Snapping Turtles and Opossums), sometimes silly, sometimes sharp. I remember the old fashioned vocabulary and especially the fascinating illustrations, that only now I can truly appreciate.

Later, I began keeping between its pages a series of pressed leaves and flowers to dry - some have been here for years, more beautiful than ever . And it's especially for this reason that the book is still with me - using it (and partly damaging it) to house this disordered herbarium was the way I found to never get rid of the book. Its illustrations are precious - and by this time its history (in addition to the stories it tells) too.

As Histórias do Tio Remo [Uncle Remus Tales] is a 1959 book, published in Portugal by Livraria Civilização. The original compilation by Joel Chandler Harris goes back to 1881.
About the illustrator, António Quadros, is worth reading this article in the amazing blog Almanaque Silva.

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