1Q84

Tuesday, 11 February 2014




PT
O primeiro livro de Haruki Murakami que li foi Sputnik, Meu Amor – e foi por acaso.
Já tinha visto o nome deste autor repetido nas capas das livrarias – e depois, ainda, como um recorrente candidato ao Prémio Nobel da Literatura – mas não tinha nenhuma referência concreta acerca de um livro em particular, por isso não saberia sequer por onde começar.

Há algo que distingue os escritores de diferentes países entre si, distingue ainda mais autores de continentes distintos – o que é natural, se as pessoas são distintas também. O que quero dizer é que por muito que já tenha lido – e tenha apreciado algumas leituras – autores desses locais distantes, talvez por uma questão cultural ou meramente de gosto pessoal, identifico-me sempre mais com autores europeus – ou americanos. Ainda assim, faltava-me ver o mundo através do olhar de um escritor asiático.

Comprei Sputnik, Meu Amor por acaso – uma promoção de livros de bolso da Fnac fez com que seleccionasse três entre vários e este foi um deles, em grande parte porque, confesso, andava curiosa com as repetidas vezes que vira o nome de Murakami nas capas das livrarias – sobretudo numa série de livros espessos com um belíssimo grafismo, de letras e números, com um nome estranho e quase indizível.
Levei o livro de férias e li-o antes de chegarem a meio. Se me perguntarem sobre o que era, não sei dizer ao certo, talvez porque sinta que a pura descrição da história não é o mais importante. Se me perguntarem o que achei do estilo de escrita do autor fico indecisa quanto aos adjectivos a usar, mas aconselharei a sua leitura a qualquer pessoa que me peça opinião. Se me perguntarem porque me cativou tanto, direi que foi pelo espaço que fica entre o que pode ser medido e o que excede qualquer medida – aquela coisa que não tem nome, mas que sabemos que está lá. Murakami inventa um mundo muito próprio para as suas personagens – embora realista, é surreal; as personagens são únicas, quase imaginárias, embora nos levem a crer que poderiam existir assim mesmo em qualquer parte do mundo, com as suas idiossincrasias universais.
É frontal, mas intimista; directo, mas cheio de segundos sentidos, múltiplos sentidos – em todos os sentidos.

O primeiro volume de 1Q84 foi a óbvia prenda de Natal.
Por coincidência, ou não, vi o filme 1984 há pouco tempo. Conhecia os traços gerais da história, mas sem detalhes – de algum modo esta referência havia de perpassar no indizível 1Q84. Nunca de uma maneira óbvia, porque pouca coisa em Murakami será óbvia, mas de algum modo, não?
Li as 487 páginas do primeiro volume de 1Q84 num mês (quanto a vocês não sei, mas para mim, que leio devagar, é um bom record) e neste momento questiono-me se alguém consegue ficar pelo primeiro volume. Quero mais.
Preciso de saber quem é o Povo Pequeno. Que história expõe A Crisálida de Ar. Se Aomame e Tengo alguma vez se irão encontrar. O que será feito de Fuka-Eri. Em que mundo existem duas luas no céu nocturno?
Sinto-me sempre mais enriquecida pela leitura de um livro quando este me deixa com mais perguntas do que respostas.

Não se deixe iludir pelas aparências.
A realidade é apenas uma.

Será?

EN
The first book by Haruki Murakami I read was Sputnik Sweetheart - and it was by chance.
I had seen the name of this author repeatedly in the covers of bookstores - and then also as a recurring candidate for the Literature Nobel Prize - but there was no specific reference about a particular book, so I didn't even know where to start.

There's something that distinguishes writers from different countries, even more from different continents - which is natural if people are different as well. What I mean is that as much as I've read - and enjoyed some reading - authors of these distant places, perhaps for cultural reasons or merely personal taste, I always identify more with European authors - or Americans. Still, I lacked to see the world through the eyes of an Asian writer.

I bought Sputnik Sweetheart by chance - a promotion of paperbacks at Fnac made me ​​select three from many and this was one of them, largely because, I confess, I got curious about the name of Murakami I repeatedly seen in the covers at bookstores - especially in a series of thick books with gorgeous graphics, with letters and numbers, with a strange and almost unspeakable name.
I took the book on holiday and read it long before coming back. If you ask me what it was about, I can't say for sure, maybe because I feel the pure description of the story is not the most important. If you ask me what I thought about the writing style of the author I'm undecided as to adjectives to use, but would advice its reading to anyone who asks my opinion. If you ask me why it captivated me so much, I would say that it was the space that lies between what can be measured and what exceeds any measure - the one thing that has no name, but we know it's there. Murakami invents a world of its own for his characters - although realistic, it's surreal; the characters are unique, almost imaginary, although suggesting they could exist anywhere in the world with its universal idiosyncrasies.
It is frontal, but intimate; direct but full of second senses, multiple senses - in every sense.

The first volume of 1Q84 was the obvious Christmas present.
Coincidentally, or not, I watched the 1984 movie recently. I knew about the story, but without details - somehow this reference was to pervade the unspeakable 1Q84. Never in an obvious way, because little in Murakami is obvious, but somehow, right?
I read the 487 pages of the first volume of 1Q84 in a month (don't know about you, but for me, I'm a slow reader, is a good record) and at this time I'm questioning if someone manages to stick with the first volume. I want more.
I need to know who Little People are. The story that Air Chrysalis exposes. If Aomame and Tengo will ever meet again. What will become of Fuka-Eri. In what world there are two moons in the night sky?
I always feel more enriched by reading a book when it leaves me with more questions than answers.

Don't let appearances fool you.
There's always only one reality.

Is there?

5 comments:

  1. Compreendo o fascínio porque também sou uma grande fã do Murakami, já há vários anos e depois de ter lido muitos e muitos livros dele. Curiosamente, o 1Q84 é dos que menos gosto — mas eu li os 3 volumes de seguida, o que foi bastante violento. :)

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    1. Imagino Sílvia! Li outras críticas que referiam o mesmo... e até uma certa desilusão, mas estou demasiado curiosa para ficar por aqui :) irei intercalar com outras leituras e depois regresso aos próximos volumes. E não irei certamente ficar só por aí ;)
      Obrigada pela visita, beijinhos!

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  2. It is a wonderful book and I urge you not to stop at the first volume of at these two that you mentioned. I recommend South of the border, west of the sun; Hard-boiled wonderland and the end of the world; A wild sheep chase. These three are my favorites. Enjoy!

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    1. Thank you so much for your suggestions Anca! I will definitely not stop here with Murakami and will look up to those three titles next time at the bookstore, you left me curious :)

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  3. Gostei muito:

    http://numadeletra.com/1q84-livro-3-de-haruki-murakami-51750

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Ana Pina | blog

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