Dia Mundial da Poesia

Thursday, 21 March 2013

A celebrar, com um dos meus favoritos.

Perfil

Não. Não tenho limites.
Quero de tudo
Tudo.
O ramo que sacudo
Fica varejado.
Já nascido em pecado,
Todos os meus pecados são mortais.
Todos tão naturais
À minha condição.
Que, quando por excepção,
Os não pratico
É que me mortifico.
Alma perdida
Antes de se perder,
Sou uma fome incontida
De viver,
E o que redime a vida
É ela não caber
Em nenhuma medida.


Coimbra, 2 de Março de 1979

Miguel Torga, Poesia Completa, Publicações Dom Quixote, p 849

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