o povo unido, jamais será vencido?

Monday, 17 September 2012

 Porto | Flea Market
Porto | Flea Market
Porto | Flea Market
Porto | manifestação
Porto | manifestação
Porto | manifestação
Porto | manifestação
Porto | manifestação
Porto | manifestação
Porto | manifestação

Sábado foi um dia cheio na cidade do Porto.
Eram vários os motivos - uns mais alegres do que outros - que atraíam gente em catadupa às ruas da baixa.
Havia Flea Market no Passeio das Virtudes, havia uma grande D'bandada a encher muitos dos locais mais cool da cidade, dentro e fora de portas, durante a tarde e pela noite fora... e havia ainda a manifestação marcada para as 17h na Avenida dos Aliados, sob o mote "Que se lixe a Troika! Queremos as nossas vidas!"

Não costumo falar de política neste blog - na verdade também não costumo falar muito de política no geral. Mais do que ser um assunto que por si só não me interessa particularmente - e que frequentemente leva a discussões desagradáveis e demasiado exaltadas para o meu gosto, com destino a becos sem saída - sinto sempre que estou a tentar dissecar um tema já gasto, onde há sempre mais críticas do que soluções, onde abundam os "eles" e escasseiam os "nós". Pior do que isso, parece-me sempre que falamos sem total conhecimento de causa (porque é impossível tê-lo), que não saberíamos na verdade qual a única e melhor decisão a tomar se estivessemos nós no poder e por essa razão, enquanto meros grãos de areia encaixotados num grande camião com destino incerto, entristece-me sempre a sensação de que pouco ou nada podemos fazer.
Gostava de pensar que o povo unido jamais será vencido, mas parece-me sempre que a aparente união que faz a força no calor da manifestação arrefece na manhã do dia seguinte quando é preciso acordar para o emprego que paga o pão que fomos reclamar não ter no dia anterior. Infelizmente a maior parte das pessoas continua a falar mais do que fazer, continua a pensar nas aparências e consequências, acaba por adoptar a postura revolucionária para a fotografia e depois, quando no dia-a-dia é necessário tomar uma posição e arriscar - sim, lamento, mas não se pode querer só colher os louros da vitória... e esperar que os outros travem as batalhas por nós - acobardam-se. E isto irrita-me - a hipocrisia irrita-me. A sensação de impotência irrita-me. A noção de que sou uma agulha num palheiro, sem voz nem mapa, sem respostas nem soluções, irrita-me. E mais do que tudo, irrita-me que me façam de parva.

Geralmente evito ver telejornais para não rebentar de vez - sinto-me pequena e revoltada por dentro e isso não faz bem a ninguém.Vejo amigos a emigrar e sinto-me cada vez mais sozinha enquanto penso se deveria segui-los ou não... não há mal nisso, acho até muito interessante a ideia de viver fora do país durante algum tempo, como já sabem, mas acho que devia poder fazê-lo por opção.

Falar é bom. Desabafar ajuda. Gritar às vezes é necessário. Mas o que eu gostava mesmo era de saber o que posso realmente fazer. E neste momento é triste chegar à conclusão de que querer trabalhar não chega.
Quanto mais fazem de conta que me empurram para a frente, mais sinto que me puxam para baixo.

Desculpem, eu disse a mim própria que não ia escrever muito sobre o assunto e me limitaria a colocar as fotos para inspirar a vossa própria vontade de revolução, mas não resisti... que a luta continue.
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Saturday was a full day in the city of Porto.
There were several reasons - some happier than others - that attracted people in cascade to the streets of downtown.
It was Flea Market day, at Passeio das Virtudes, there was a great musical event called D'bandada, filling many of the coolest places in town, in and outdoors during the afternoon and all night long... and there was a political protest scheduled for 5p.m. at Avenida dos Aliados, under the motto "Screw Troika! We want our lives!" - due to the economical crisis and the extreme measures taken by the Portuguese government in the last months.

I usually don't talk about politics in this blog - actually I don't usually talk much about politics in general. More than being a subject that doesn't particularly interest me - and that often leads to unpleasant and too exalted discussions for my taste, destined to dead ends - I always feel that I'm trying to dissect a theme already spent, where there is always more criticism than solutions, where "they" abound and "we" are scarce - if you know what I mean. Worse than that, it seems to me we always talk without full knowledge of the facts (because it is impossible to have it), we wouldn't know what would actually be the single best decision to make if we were we in power and for this reason, while mere grains of sand encased in a large truck with unknown destination, it always saddens me the feeling that little or nothing we can do.

I'd like to think that people united will never be defeated, but it seems to me that the apparent union that makes the strength in the heat of the protest, cools the next morning when one has to wake up to the job that pays the bread which one claimed not to have in the previous day. Unfortunately most people still talk more than do, still think about the consequences and appearances, eventually adopting the revolutionary attitude to the photography and then, when the day-to-day life needs them to stand and take a risk - yes, sorry, but you can't just reap the laurels of victory... and expect others to take the battles for you - they turn cowards. And that irritates me - the hypocrisy annoys me. The feeling of helplessness annoys me. The notion that I am a needle in a haystack, without voice or map, without answers or solutions, annoys me. And more than anything, it annoys me when they act as if I'm a fool.

Generally I don't watch TV news to avoid exploding - I feel small and angry inside and this isn't good for anyone. I see friends emigrating and I feel increasingly alone as I think if I should follow them or not... there is no harm in that, in fact, as you know, I think it's really interesting to live abroad for a while, but I think you should be able to do it by choice.

Talking is good. Venting helps. Yelling is sometimes necessary. But what I really want to know is what can I actually do. And this time it's sad to conclude that to want to work is not enough.
The more they pretend to push me forward, the more I feel they're pulling me down.

Sorry, I told myself I was not going to write much about it and would only post some photos to inspire your own will to revolution, but I guess I couldn't resist... let the struggle continue.

4 comments:

  1. concordo em pleno contigo! não fui à manifestação porque achei que ia dar alguma confusão. e não queria de todo ver-me envolvida em desacato. sinto-me também revoltada pelo que está a acontecer no nosso país. gostava imenso de viver noutro país porque acho que é uma experiência fabulosa. mas ao mesmo tempo, adoro cá viver e esta cidade enche-me de orgulho e inspiração. o país em si já nem tanto. e como tu acho que às vezes discutir estes temas não adianta grande coisa, porque também de política nada sei. mas desta vez sinto-me com vontade de falar, de gritar que tudo isto é um disparate, que nos vão levar ao fundo, que a ambição em querer cumprir medidas, que aceito como necessárias, é desmesurada face às nossas capacidades. e que muito haveria por onde cortar, em tantos benefícios também ele desmesurados e parcerias corruptas, antes de irem à força do nosso trabalho. sinto-me triste com tudo isto...

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    1. Sem dúvida Cláudia... tudo isto é muito revoltante! Enquanto indivíduos é muito difícil perceber o que está ao nosso alcance fazer, mas custa trabalharmos e sentirmo-nos roubados. Mesmo quando penso na hipótese de viver noutro país (adorava!), penso sempre em voltar, porque no fundo, tal como tu, adoro a minha casa e a minha cidade. É triste ter sonhos e ter que lutar ainda mais do que seria esperado para pô-los em prática...

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  2. Como te compreendo Ana! Tal como tu detesto falar (e ouvir falar) de política, é um assunto que me deixa quase sempre doente, revoltada, impotente, e que, tal como o futebol, é uma questão de gosto muito pessoal cuja discussão não leva a lado nenhum. Mas a verdade é que actualmente estamos todos a enfrentar uma tremenda destruição do valor enquanto seres humanos, e a desculpa da "crise" serve para quase tudo, sobretudo para as injustiças, hipocrisia, mentiras, eu sei lá! Tal como tu sinto-me impotente, perdida, sem saber o que fazer. A minha vontade, se fosse possível, era cair fora, não do país, mas sim divorciar-me desta sociedade capitalista e ser auto-suficiente... acho que teria de virar eremita ou assim ;)
    Penso que o que está ao nosso alcance é estarmos de acordo com a nossa própria consciência e irmos vivendo como podemos, dando o nosso melhor. De resto, não sei muito mais o que fazer, parece tão pouco!... e compreendo por isso a tua angústia, que é também a minha! Ainda estou do lado de "cá" e sabes bem a vontade que tenho de mandar tudo às urtigas. Mas nem isso me é permitido, ou "moral", nesta altura do campeonato!

    Beijinhos

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    1. É verdade, Adriana... nestes tempos, mesmo para quem não liga a política, é difícil ficar indiferente. Também já tive essa vontade, de fugir à civilização e abdicar do que esta sociedade decadente tem para oferecer (mais deveres do que direitos, mas enfim...), mas acho que até isso é impossivel! Estamos demasiado formatados para querer e fazer determinadas coisas. Acho que podíamos começar por desejar menos e darmos o nosso melhor para viver a vida que queremos (podemos) viver. Beijinhos!

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