Françoise Gilot

Wednesday, 12 September 2012

Françoise Gilot + Picasso

Enquanto estava de férias cruzei-me com uma entrevista a Françoise Gilot na revista Sábado. O nome não me pareceu familiar na altura, mas as primeiras linhas da entrevista, que a descrevem como mulher, musa inspiradora e mãe de dois dos quatro filhos de Pablo Picasso, fariam desta uma leitura a não perder.

Gilot, também artista plástica, "aguentou" viver 10 anos com Picasso e é a única sobrevivente das suas várias mulheres. Quando se conheceram separavam-nos 40 anos - Gilot tinha apenas 21.
Possessivo, irascível, inconstante, temperamental - o génio inteligente e criativo de Picasso parecia ter um reverso da medalha bastante pesado de carregar, tornando extremamente difícil viver com ele. Françoise sobreviveu, disse-lhe não, foi a única mulher a deixá-lo e ainda escreveu um livro contra o qual Picasso lutou judicialmente. Françoise Gilot pagou um preço alto por isso: aturou críticas negativas, viu o seu trabalho recusado e acabou por exilar-se nos Estados Unidos... mas nunca se arrependeu - para além de defender que os arrependimentos são uma pura perda de tempo, admite que viver com Picasso foi um desastre que valeu a pena.
Gilot recompôs-se e provou a Picasso e ao mundo que era mais forte. Continuou a pintar, passou a expor regularmente e tem agora um atelier bem perto de Montmartre, na cidade onde nasceu e onde, com 90 anos, ainda pinta diariamente.
Mas em vez de deter-me a apreciar a arte de Françoise Gilot, quero deixar-vos com as palavras que mais me marcaram ao longo de toda a entrevista e com que (tragicamente) me identifico.

(...) é muito mais interessante passar por coisas trágicas, com pessoas interessantes, do que viver uma vida maravilhosa com uma pessoa medíocre. (...) Se quisermos realmente viver, é preciso arriscar algo dramático - de outro modo não vale a pena viver a vida. Se arriscamos, passamos por coisas terríveis, mas, antes de tudo isso, aprendemos muito e vivemos mais, compreendemos tudo melhor. Não nos tornamos aborrecidos. Isso é o pior que nos pode acontecer: tornarmo-nos aborrecidos.

Agora ide, ide e vivei a vida.
A foto de Gilot com Picasso em último plano, essa, vai direitinha para a parede de inspiração.
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While on vacation I came across an interview with Françoise Gilot in Sábado magazine. The name didn't sound familiar at the time, but the first lines of the interview, describing her as wife, muse and mother of two of the four children of Pablo Picasso, determined this as an unmissable reading.

Gilot, also an artist, "endured" 10 years living with Picasso and is the only survivor of his several wives. When they first met they were separated by 40 years - Gilot was only 21.
Possessive, irascible, unstable, temperamental - the intelligent and creative genius of Picasso seemed to have a flip side quite heavy to carry, making it extremely difficult to live with him. Françoise survived, told him no, she was the only woman to leave him and even wrote a book against which Picasso fought in court. Françoise Gilot paid a high price for it: endured negative criticism, saw her work refused and eventually searched exile in the United States... but never regreted it - besides defending that regrets are a waste of time, she admits that living with Picasso was a disaster that was worth it.
Gilot recomposed herself and proved Picasso and the world that she was stronger. She continued to paint, started to exhibit regularly and now has a studio close to Montmartre, in the city where she was born, and where, aged 90, still paints daily.
But instead of taking my time to appreciate the art of Françoise Gilot, I leave you with the words that most influenced me throughout the interview and with which I (tragically) identify.

(...) it is much more interesting to go through tragic things, with interesting people, than to live a wonderful life with a mediocre person. (...) If we want to truly live, we must risk something dramatic - otherwise it's not worth living life. If we take risks, we go through terrible things, but above all, we live and learn much more, understand everything better. We don't become boring. That's the worst that can happen to us: to become boring.

Now go, go and live life.
The photo of Gilot with Picasso in the background goes straight to the inspiration wall.

5 comments:

  1. Hey I just saw "Surviving Picasso" yesterday!
    It is about him and his women seen through the eyes of Gilot. I was not impressed with the movie, Hopkins was good and so were the rest of the actresses playing his wives/lovers but there was something lacking.
    Seeing the photo I find a great resemblance with the actress Natascha McElhone who played Gilot :-)

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    1. Oh, I never saw the movie! Such a coincidence :)
      I'm curious to read the book by Gilot now...

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  2. Gostei muito... e concordo perfeitamente com a Gilot... Mas o melhor é sempre uma vida maravilhosa com pessoas interessantes! :) bj

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    1. eheheh... tu queres tudo! Não está mal pensado ;)
      Se for possível, é o ideal, mas como dizem que não se pode ter tudo... o melhor mesmo é ter uma vida interessante! Beijo

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