Rietveld Schröder House // Utrecht

Tuesday, 15 May 2012

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A Casa Rietveld Schröder é o único verdadeiro exemplo construído conhecido de arquitectura De Stijl e um dos mais emblemáticos ícones da arquitectura da primeira metade do século XX.

Construída em 1924, este projecto do holandês Gerrit Rietveld, rompeu radicalmente com os pressupostos da arquitectura tradicional, concebendo uma habitação que procura levar os conceitos de flexibilidade ao limite.
A encomenda destinava-se a Truus Schröder-Schräder e os seus três filhos, que depois da morte do marido, optou por trocar o seu espaçoso apartamento em Utrecht por uma casa feita à sua medida - mas este acabou por tornar-se um projecto de vida a dois e o grande ponto de partida da carreira de Rietveld enquanto arquitecto, até aí essencialmente designer de móveis - e bem conhecido por sinal, como se comprova pela fama das cadeiras Reb Blue ou Zig-Zag.
Schröder, mulher moderna e independente, sabia bem o que queria do seu novo lar e participou activamente com Rietveld na criação daquela que viria a ser a casa dos dois.

A Casa Rietveld Schröder é, mais do que um espaço habitável, um manifesto. Situada nos arredores de Utrecht, a servir de remate a um conjunto de casas tradicionais de dois pisos, não tem problemas em demarcar-se do que a rodeia, tanto pelas linhas arquitectónicas como pelos materiais utilizados.
As cores do movimento De Stijl estão patentes tanto no exterior como no interior, acentuando o carácter plástico do volume e lembrando um quadro de Mondrian em 3D. Os princípios de organização do espaço apostam na liberdade e na capacidade de adaptação.
Se o piso térreo, destinado ao escritório de Rietveld, sala de estudo, cozinha e sala de jantar, pode ser ainda considerado organizado de modo convencional, o piso superior revela o carácter único da obra. Aqui, onde encontramos os quartos e a área de estar, podemos ler o espaço de uma série de diferentes modos... um espaço aberto pode ser transformado num espaço semi ou totalmente compartimentado pelo movimento sucessivo dos painéis deslizantes e giratórios que acabam por funcionar como portas ou biombos que mostram ou escondem aquilo que queremos, permitindo adaptar o espaço às diversas funções a que este vai respondendo ao longo do dia - ou ao longo da vida. É aqui que vive o coração da casa.
Durante a visita guiada, um guia de luvas e pantufas vai movimentando os painéis, enquanto os visitantes, algo confusos e surpreendidos, exploram o espaço de audio-guia colado ao ouvido. É difícil perceber o sentido prático de todas estas possíveis alternativas de transformação do espaço, mas é fascinante imaginar o sem fim de possibilidades de vivência de um espaço tão flexível.
O mobiliário tem que ser reduzido e cuidadosamente fabricado à medida, a privacidade é relativa e os truques para melhor aproveitar o espaço sem comprometer a unidade arquitectónica são muitos: as portadas amovíveis que se escondem embutidas nas paredes, os apoios rebatíveis ao longo das janelas, os móveis que acumulam mais do que uma função, escondendo muitas vezes a sua função principal.
Mas ainda que o interior da Casa nos dê a sensação de estar a viver noutro mundo, a sua intensa relação com o exterior é outro dos pontos fortes do projecto. Todas as divisões têm contacto directo com o exterior - no caso do piso superior, através de varandas - e a janela de canto da zona de estar, que parece desafiar a gravidade estrutural, é provavelmente um dos pormenores mais conhecidos da história da arquitectura.

Truus Schröder viveu aqui com o seus filhos, com Rietveld e depois da morte deste, sozinha, até ela própria falecer, em 1985. Ao longo de praticamente 60 anos esta Casa evoluiu, respondendo às diferentes funções que dela exigiam, até se transformar num Museu, depois da reabilitação levada a cabo por Bertus Mulder.
Vale bem a pena a visita - imperdível para qualquer arquitecto ou apaixonado por arquitectura - e vale a pena também ficar a conhecer melhor a história por trás da obra. É sempre interessante quando um arquitecto com ideias tão radicais para o seu tempo desenha a sua própria casa, usando-a como expressão, não só dos seus princípios arquitectónicos, como do seu estilo de vida, não concordam?

Mais fotos aqui ou aqui.


The Rietveld Schröder House is the only true known built example of De Stijl architecture and one of the most emblematic icons of architecture of the first half of the twentieth century.

Built in 1924, this project of the Dutch Gerrit Rietveld, broke radically with the assumptions of traditional architecture, designing a house that seeks to take the concepts of flexibility to the limit.
The house was commissioned by Truus Schröder-Schräder, who after the death of her husband, chose to change from her spacious apartment in Utrecht with her three children to a home made to measure - but this turned out to become a life project for two and also a great starting point for Rietveld's career as an architect, until then mainly furniture designer - and well known by the way, as evidenced by the fame of the Reb Blue or Zig-Zag chairs.
Schröder, a modern and independent woman, knew what she wanted for her new home and actively participated with Rietveld in the creation of what would become the home of the couple.

The Rietveld Schröder House is, more than a living space, a manifesto. Situated on the outskirts of Utrecht, placed in the tail-end of a group of traditional houses of two floors, it has no problems with demarcating itself from what surrounds it, both by its architectural lines as the materials used.
The colors of De Stijl movement are evident both outside and inside, accentuating the plasticity of the volume and resembling a 3D picture of Mondrian. The principles of organization of space bet on freedom and adaptability.
The ground floor, where you find Rietveld's office, a study room, kitchen and dining room, can still be considered organized in a conventional manner, while the upper floor reveals the unique character of the project. Here, where we find the sleeping rooms and the living area, we can read the space in a wide number of different ways... an open space can be transformed into a semi or fully compartmented space by the successive movement of the sliding and rotating panels that ultimately function as doors or screens that show or hide what we want, allowing to tailor the space according to the various functions that it has to respond over the day - or over our life. This is where the heart of the house lives.
During the tour, a guide with gloves and slippers keeps moving the panels, while visitors, somewhat confused and surprised, explore the space with an audio guide glued to their ears. It's difficult to understand the practical meaning of all these possible alternatives for the transformation of space, but it's fascinating to imagine the endless possibilities of living in a space as flexible as this.
The furniture has to be reduced and carefully costumized, privacy is limited and there are many tricks to make better use of space without compromising the architectural unity: the removable shutters that lie embedded in the walls, the horizontal supports folding along the windows, furniture that accumulate more than one function, often hiding its main one.
But even if being inside the House gives us the feeling of living in another world, its intense relation with the exterior is another of the strengths of the project. All rooms have direct contact with the outside world - on the top floor, through balconies - and the corner window of the living area, which seems to defy structural gravity is probably one of the best known details of the history of architecture.

Truus Schröder lived here with her children, with Rietveld and after his death, alone, until she herself died in 1985. Throughout almost 60 years this house has evolved in response to the different required functions, until it became a Museum, after the rehabilitation carried out by Bertus Mulder.
It's well worth the visit - a must for any architect or passionate about architecture - and well worth getting to know better the history behind the House. It's always interesting when an architect with so radical ideas for his time designs his own home, using it as an expression, not only of his architectural principles, but also of his lifestyle, don't you agree?

More photos here or here.

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