depois da viagem... o regresso

Tuesday, 6 September 2011






Depois de 16 dias em viagem (e que fantástica viagem!) é difícil regressar à realidade... chego com a mala a abarrotar de recordações, os pés cansados, os olhos cheios de imagens, a mente mais aberta e as ideias em reboliço.

Aprendemos sempre quando viajamos. Absorvemos outras culturas, outras gentes, outros lugares. Ainda que não sejam muito longínquos, cultural ou geograficamente, cada lugar mostra-nos sempre um mundo novo, faz-nos sentir emoções que desconheceríamos se não tivéssemos saído de casa e nos limitássemos a conhecê-lo à distância, através das palavras ou imagens de outros.

Quando regresso de viagem sinto sempre um misto de satisfação e nostalgia - o prazer de viajar sente-se esmorecer com a perspectiva do regresso. Ultimamente - e cada vez mais - sinto que a viagem é apenas um pequeno vislumbre de uma outra vida que poderia viver (das muitas vidas, talvez?). O bilhete de ida e volta parece-me uma imposição demasiado redutora a uma experiência que devia prolongar-se naturalmente no tempo... ainda que regresse para uma vida que me agrada, não consigo deixar de pensar: porque regresso? Porquê já? Não é tanto porque me entusiasme a ideia de poder persistir na condição de férias permanentes (uma parte de mim acha que nem ao cenário aparentemente perfeito me habituaria...), mas sobretudo porque cada vez mais sinto uma vontade irreprimível de viver o lugar sem o falso conforto, estanque no tempo, de estar de férias. Há cidades onde sinto vontade de prolongar a viagem durante mais tempo - talvez até esse lugar se tornar a minha casa e ter vontade de partir para outro - quando tudo o que quero que este me ofereça estiver gasto. Assim, parece-me ficar ainda tanto por absorver!

Ainda que estejamos numa época em que a internet espreita a cada esquina, foi também um prazer fazer uma pausa e ficar offline durante todo este tempo... adoro o que a internet me oferece, mas às vezes sinto que ficamos tão inebriados com toda a informação que recebemos e todos os compromissos virtuais que assumimos, que sentimos estar a perder algo se nos ausentarmos, por pouco tempo que seja, e acabamos por esquecer a vida paralela que se desenrola longe do monitor.

Durante estes 16 dias contamos as horas no relógio astronómico em Praga, tomamos banho nas termas de Budapeste, passeamos nos palácios de Viena e descansamos na margem do Danúbio em Bratislava. Foi uma fantástica viagem e espero partilhar convosco alguns dos seus melhores momentos! Mas dêem-me tempo... ainda me sinto em modo de ressaca pós-viagem e a selecção das melhores das mais de 2000 fotos não vai ser fácil!
Em breve, aos poucos, farei um relato de cada cidade, para também eu reter na memória momentos e imagens a não esquecer. Porque, no fundo, aquilo que de mais valioso tem cada viagem é a capacidade de a revivermos vezes sem conta, dentro de nós.


After 16 days travelling (and what a fantastic journey!) it's difficult to return to reality... I arrived with a suitcase packed full of memories, tired feet, eyes full of images, a more open mind and my ideas into turmoil.

We always learn when we travel. We absorb other cultures, other people, other places. Even though not very distant, culturally or geographically, each place always shows us a new world, makes us feel emotions that we would never had known if we hadn't left our home and only got to know it at a distance, through the words or images of others.

When returning from a travel I always feel a mixture of satisfaction and nostalgia - the pleasure of traveling feels fading with the prospect of the return. Lately - and increasingly - I feel that the journey is just a small glimpse of another life I could live (of many lives, perhaps?). The round-trip ticket seems to me an imposing condition upon an experience that should continue naturally in time... even if I return to a life that pleases me, I can't help thinking: why return? Why now? It's not so much because I enjoy the idea of ​​being able to persist on permanent vacation (a part of me thinks that even this seemingly perfect scenario would tire me...), but mostly because every time I feel an irrepressible urge to experience the place without the false comfort, sealed in time, of being on vacation. Some cities make me want to extend the trip in time - maybe until the place become my home and I feel the urge to part to another one - when all I want it to offer me is spent. This way, it seems to me it still stays so much to absorb!

Although we are at a time when the internet lurks around every corner, it was also a pleasure to take a break and go offline during this time... I love what the internet offers me, but sometimes I feel that we're so intoxicated with all the information we receive and all the virtual commitments we take, that we feel like we're lose something if we leave, even if it's for a short time, and tend to forget the parallel life that unfolds far from the monitor.


During these 16 days we counted the hours on the astronomical clock in Prague, bathed in the thermal baths of Budapest, walked in the palaces of Vienna and rested on the bank of the Danube in Bratislava. It was a fantastic trip and I hope to share with you some of its best moments! But give me some time... I'm still in post-trip hangover mode and the selection of the best of more than 2000 photos won't be easy! Soon, little by little, I'll make a report of each city, so I can also retain in memory images and moments to remember. Because, after all, what's more valuable in every trip is our ability to relive it again and again, within ourselves.

6 comments:

  1. oh, estou ansiosa por saber.
    tive saudades das tuas palavras :)
    bom estares de volta...
    beijos

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  2. enjoy all your memories as often as you can !

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  3. Aprendemos sempre muito quando viajamos!

    Adoro a primeira fotografia: que cores lindas!

    Bem-vinda!

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  4. Que delícia mesmo e que inveja também ;-) fico ansiosa pelos relatos seguintes :-)

    Conheces o blog da Ana? Se ainda não conheces, acho que vais gostar de "conhecer" ;-)

    beijinhos

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Ana Pina | blog

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