Espaço Miguel Torga // Souto de Moura

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Thursday, 4 February 2016

Sabrosa 01'16
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PT
Depois da visita à Quinta do Portal, seguimos para S. Martinho de Anta, terra onde nasceu Adolfo Correia da Rocha, que havia mais tarde de assinar como Miguel Torga - um dos meus poetas portugueses favoritos.
Aqui Souto de Moura projectou o Espaço Miguel Torga, que desde 2012 alberga uma exposição dedicada à vida e obra do autor, entre outras exposições temporárias.
Expressivos muros de xisto emolduram um jogo de cheio e vazio que contrapõe o edifício ao espaço destinado alternadamente ao mercado e parque de estacionamento para visitantes.
O edifício, voltado sobretudo para o interior, abre-se para o exterior no espaço do café, onde os muros de xisto são interrompidos por um envidraçado voltado para o por-do-sol.
Vejo um muro de pedra duro, fechado e ligado à terra, mas intenso, expressivo e caloroso, como as palavras do poeta.

Princípio

Não tenho deuses. Vivo
Desamparado.
Sonhei deuses outrora,
Mas acordei.
Agora
Os acúleos são versos,
E tacteiam apenas
A ilusão de um suporte.
Mas a inércia da morte,
O descanso da vide na ramada
A contar primaveras uma a uma,
Também me não diz nada.
A paz possível é não ter nenhuma.

Miguel Torga, Penas do Purgatório, 1954

EN
After visiting Quinta do Portal, we went to S. Martinho de Anta, native village of Adolfo Correia da Rocha, who was to later sign as Miguel Torga - one of my favorite Portuguese poets.
Here Souto de Moura designed the Miguel Torga Space, which since 2012 houses an exhibition about the life and work of the author, among other temporary exhibitions.
Expressive schist walls frame a game of full vs empty that opposes the building to the free space that serves alternately the market and parking for visitors.
The building, designed towards the inside, opens to the outside in the cafeteria, where the schist walls are interrupted by a glassed facade facing the sunset.
I see a wall of stone: hard, closed and earthed, but intense, expressive and warm, like the words of the poet.

Quinta do Portal // Álvaro Siza

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Monday, 1 February 2016

Sabrosa 01'16
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PT
Sábado foi dia de passeio!
Partimos em direcção a Vila Real onde encontramos por acaso um simpático restaurante onde é possível provar o bom vinho e os petiscos característicos de Trás-os-Montes dentro de um tonel de madeira: o Terra de Montanha.
Daí até Sabrosa não é longe e ao início da tarde preparávamo-nos para aliar o bom vinho à boa arquitectura na Quinta do Portal, para uma prova de vinhos e visita guiada ao armazém de estágio e envelhecimento de vinhos.
O projecto de Álvaro Siza insere-se na paisagem da imensa vinha desde 2008 e destaca-se pelas cores quentes do revestimento exterior que combina cappotto laranja, xisto e cortiça. Exigências funcionais e térmicas ditam que a temperatura do interior em betão aparente seja bem mais baixa - nas caves multiplicam-se barris, tonéis e garrafas onde o vinho da Quinta (de mesa, moscatel e do Porto) aprende a ganhar sabor.
No vinho, como no edifício, é o tempo e os detalhes que o dotam de personalidade.

EN
Saturday was day of sightseeing!
We set off towards Vila Real where we bumped with a nice restaurant where you can taste the good wine and typical dishes of Trás-os-Montes in a wooden barrel: Terra de Montanha.
From there to Sabrosa is not far away and in the early afternoon we were ready to combine good wine and good architecture in Quinta do Portal, for a wine tasting and guided tour of the cellars that allow the storage and aging of wines.
The project by Álvaro Siza is part of the landscape of the vast vineyard since 2008 and stands out for the warm colors of the exterior coating that combines orange cappotto, schist and cork. Functional and thermal requirements dictate that the temperature of the interior in exposed concrete is much lower - in the cellars wine in lots of barrels and bottles (wine table, muscat and Port) learns to gain flavor.
In wine, as in the building, is the time and details that grow in personality.

#6

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Friday, 29 January 2016

Esperar. Respirar. Separar – a inspiração da expiração.

2015.05.20 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

listening out loud // You Play I Listen

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Wednesday, 27 January 2016



01. Class Historian | Broncho
02. Pretty Tall Girls | Poni Hoax
03. Unbuild It | The 2 Bears
04. Greyhound Racing | Concrete Knives
05. Standing Next To Me | The Last Shadow Puppets
06. Torture Me | Red Hot Chilli Peppers
07. Welcome To Japan | The Strokes
08. My Doorbell | The White Stripes

Aparição // Vergílio Ferreira

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Thursday, 21 January 2016



Que havia, pois, mais para a vida, para responder ao seu desafio de milagre e de vazio, do que vivê-la no imediato, na execução absoluta do seu apelo? Eliminar o desejo dos outros para exaltar o nosso. Queimar no dia-a-dia os restos de ontem. Ser só abertura para amanhã.
(...) Ninguém pode pagar, nada pode pagar a gratuidade deste milagre de sermos. Que ao menos nós lhe demos, a isso que somos, a oportunidade de o sermos até ao fim. Gritar aos astros até enlouquecermos. Iluminarmos a brasa que vive em nós até nos consumirmos. Respondermos com a absoluta liberdade ao desafio do fantástico que nos habita.

Vergílio Ferreira, Aparição, p 85

PT
Li este livro pela primeira vez há cerca de 18 anos atrás, como leitura obrigatória do 12º ano. Muitos de vocês o terão lido também, não sei se com a mesma sensação de revelação que eu.
Ainda bem que fui obrigada, depois deste li vários outros de Vergílio Ferreira e sempre reencontrei a maravilhosa sensação de me reconhecer a mim mesma em muitas palavras.

Curiosamente, na altura li de um livro emprestado e quando há pouco tempo o livro me chegou de novo às mãos por acaso, não resisti a reler. Sempre achei que seria perda de tempo reler um livro (afinal há tantos bons para ler e tão pouco tempo!), mas não resisti à familiaridade das primeiras palavras, à sensação de redescoberta da revelação que o livro foi para mim na altura - e continua a ser agora, embora de modo diferente.

Já não me lembrava de todas as reviravoltas e dos muitos detalhes, mas lembrava-me bem da angústia de sentir uma vontade maior do que nós de fazer a vida ganhar sentido muito para além do que está diante dos nossos olhos. É algo incontrolável e inexplicável que nos deixa em constante insatisfação e sobressalto - como se devêssemos estar noutro lugar, a fazer outra coisa - como se nada bastasse.

Se gostaram deste, leiam também Estrela Polar, um dos meus favoritos.

EN
I read the book Aparição [Apparition], by Portuguese writer Vergílio Ferreira, for the first time about 18 years ago, as a mandatory reading at school. Many of you have read it as well, don't know if with the same sense of revelation as me.
I'm glad I was obliged, after this I read several other by Vergílio Ferreira and always rediscovered the wonderful feeling of recognizing myself in so many words.

Interestingly, at the time I read from a borrowed book and when recently the book came back into my hands as a mere chance I couldn't resist to read it again. I always thought it would be a waste of time to re-read a book (after all there are so many good to read and so little time!), but couldn't resist the familiarity of the first words, the sense of rediscovery of the revelation that the book was for me at the first time - and still is now, though differently.

I no longer remembered all the twists and many details, but remembered well the anguish of feeling a yearning greater than we, that life would have meaning far beyond what is before our eyes. It's something uncontrollable and inexplicable that leaves us in constant dissatisfaction and jolt - as if we should be somewhere else, doing something else - like nothing was enough.

If you like this one, read also Estrela Polar [Pole Star], one of my favorites.

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