Morocco // Marrakech

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Monday, 29 August 2016

Morocco 08'16
Morocco 08'16
Morocco 08'16
Morocco 08'16
Morocco 08'16
Morocco 08'16
Morocco 08'16
Morocco 08'16
Morocco 08'16
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Morocco 08'16
Morocco 08'16
Morocco 08'16
Morocco 08'16
Morocco 08'16
Morocco 08'16
1. souk 2. 3. 4. Medersa Ben Youssef 5. 6. Place Jemaa El-Fna 7. 8. Saadian Tombs 9. Koutoubia Mosque 10. 11. Majorelle Gardens 12. 13. Place Rahba Lakdima 14. 15. Bahia Palace [+]

PT
Os que me acompanham no instagram ou facebook já viram algumas das fantásticas imagens que serviram de cenário aos dias de férias por Marrocos.
Este foi, sem dúvida, o destino mais exótico (e mais quente!) onde estive até agora e isso reflectiu-se em todos os sentidos, os geográficos e os outros: nas cidades, paisagens, pessoas, ruídos, cores, sabores e cheiros... no ritmo dos passos e dos dias.

Marrakech serviu de base, a cidade vermelha de onde partimos depois para o deserto atravessando o Alto Atlas e onde voltamos antes de rumar na direcção das cidades brancas junto ao azul do mar.
Marrakech é uma cidade cheia de vida e de gente. Atravessar a praça Jeema El-Fna à noite é por si só uma experiência - as bancas de comida e sumos de fruta, a música, as mulheres que fazem tatuagens de henna, as cobras e os macacos, pessoas, pessoas, pessoas - mas um passeio pelos souks não fica atrás.
É uma cidade feita de ruas pobres e estreitas, mas também rica em momentos altos como a torre da Koutoubia, o pátio da Medersa Ben Youssef ou o azul dos jardins Majorelle.

Beber chá de menta, quente. Parece contraditório, mas aqui tudo é diferente e não podemos tentar ser outros. É preciso descobrir sabores que se comem com as mãos, escolher a tagine favorita (kefta?), aprender a ignorar com um sorriso as mil vozes que tentam persuadir-nos em todas as línguas a ir por ali, a olhar para aqui, a entrar, a comprar isto, a seguir... é preciso andar pela direita para não estorvar bicicletas, motas, burros, regatear para comprar e não conseguir evitar a sensação de sairmos sempre a perder. É preciso sentirmo-nos em casa no pátio de um riad, atravessar ruas estreitas e labirínticas ignorando o facto de estarmos perdidos - porque sempre nos encontramos.

Em viagem a luz é intensa e as cores carregadas de camadas de dias. As casas constroem-se com a cor da terra e as mãos, e o tempo ajuda a transformá-las, a desgastá-las, enquanto o sol queima e a água falta a quem as habita. Veem-se campos cultivados, palmeiras, oasis, rios secos que aguardam o Inverno. Veem-se montanhas vermelhas, verdes, castanhas, terra amarela e negra, areia da cor do sol tingida pelas sombras do vento, das pegadas, dos dromedários.
Vê-se o horizonte e perguntamo-nos se tem fim. Não queremos que tenha. Podíamos continuar a conduzir sempre, a ver a paisagem mudar, a admirar a forma como os rostos e as vestes das mulheres mudam com ela, a reclamar do calor insuportável, mas contentes por poder sentir o sol sobre a pele.

Viajar por parte do país tornou clara a diferença das cidades para as zonas rurais, do interior para o litoral, do mar para a planície, a montanha, o deserto. Foram várias viagens dentro da mesma viagem e 10 dias que passaram a voar e pareceram durar meses de experiências.
Desta vez as fotos são de Marrakech, mas em breve partilho mais sobre os outros destinos!

EN
If you follow me on instagram or facebook you've already seen some of the stunning images from my last days in Morocco.
This was undoubtedly the most exotic (and hot!) destination I've been so far and this was reflected in all ways: in cities, landscapes, people, noises, colors, flavors and smells... the rhythm of steps and of days.

Marrakech was the base, the red city where we started, from where we headed to the desert crossing the High Atlas and to where we returned before heading in the direction of white towns by the blue sea.
Marrakech is a city full of life and people. Crossing Jeema El-Fna square at night is an experience itself - the food and fruit juices stalls, music, women painting henna tattoos, snakes and monkeys, people, people, people - but a stroll through the souks is not far behind.
It is a city of poor and narrow streets, but also rich in highlights like the tower of the Koutoubia, the courtyard of Medersa Ben Youssef or the blue of Majorelle gardens.

To drink mint tea, hot. It seems contradictory, but here everything is different and we can't try to do it other way. You need to discover flavors that are eaten with your hands, to choose a favorite tagine (kefta?), learn to ignore with a smile the thousand voices that try to persuade you in all languages ​​to go there, to look at here, to come in, to buy this, to follow... you need to walk on the right not to embarrass bikes, motorcycles, donkeys, haggle to buy, even if you can't avoid the feeling of always ending up losing. You need to feel at home in the courtyard of a riad, cross through narrow, twisting streets ignoring the fact that you're lost - because you always find yourself.

While traveling the light is intense and the colors loaded with layers of days. The houses are built with the color of the earth and hands, and time helps to transform them, to wear them, while the sun burns and the water is short to those who inhabit them. You see cultivated fields, palm trees, oasis, dry rivers awaiting winter. You see red, green and brown mountains, yellow and black earth, sand of the color of the sun dyed by shadows of winds, footprints, dromedaries.
We see the horizon and we wonder if it has an end. We don't want it to. We would keep driving forever, seeing the landscape changing, admiring how faces and clothes of women change with it, complaining about the unbearable heat, but glad to be able to feel the sun on the skin.

Traveling across the country made clear the difference between cities and rural areas, between the interior and the coast, the sea and the plains, the mountains, the desert. There were several trips within the same trip and these 10 days went by flying and seemed to last months of experiences.
This time I leave you with photos of Marrakech, but soon I'll share the other destinations!

Happy Summer holidays!

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Thursday, 11 August 2016



PT
Por aqui estou quase de partida!
Os próximos dias serão passados em terras do norte de África, com muito calor, cores e passeios à mistura. Se quiserem acompanhar as minhas aventuras em Marrocos, sigam-me no instagram ou facebook - o acesso à internet será limitado, mas espero ir partilhando alguns dos melhores momentos.

O Tincal lab estará encerrado até ao final de Agosto e todas as mensagens e encomendas serão respondidas depois do meu regresso, obrigada!

EN
I'm almost packed and ready to go!
The next few days will be spent in the North of Africa with much heat, colors and discovery walks in the plans. If you want to keep up with my adventures in Morocco, follow me on instagram and facebook - internet access will be limited, but I hope to share some of the best moments.

Tincal lab will be closed until the end of August and all messages and orders will be answered after my return, thank you!

Metal Collection

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Wednesday, 27 July 2016

Metal Collection | bracelet
Metal Collection | ring
Metal Collection | ring
Metal Collection | ring
Metal Collection | earrings
Metal Collection | earrings
Metal Collection | earrings
Metal Collection | earrings

PT
Finalmente está disponível na loja online a mais recente Metal Collection!
Para quem gosta de peças simples, mas com personalidade, versáteis e combináveis entre si.
Formas geométricas simples, uma textura única.

EN
It's finally available in the online shop the new Metal Collection!
For those who love simple pieces, but with personality, versatile and combinable.
Simple geometric shapes, an unique texture.

Epidaurus Theatre // a photo and a story

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Tuesday, 5 July 2016


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PT
Há pouco tempo recebi um convite para partilhar a história de uma fotografia de um dos meus sítios favoritos. O projecto Vantage Point foi lançado pela Light, uma empresa que aposta numa nova tecnologia de máquinas fotográficas, que combina qualidade e versatilidade acessível a todos.

Longe de ser uma profissional, gosto muito de fotografar, sobretudo quando viajo. É uma forma de registar, recordar, olhar para o que nos rodeia de forma diferente.
A foto que escolhi não é espectacular senão pela localização - não apresenta nenhum ponto de vista muito original, não estudei a luz, a abertura ou a velocidade (foi tirada com uma simples Bridge Panasonic DMC-FZ38, em modo automático), não captura um momento único e nunca antes visto. Mas tem sem dúvida uma história.

O Teatro de Epidauro, na Grécia, é um dos lugares mais belos onde alguma vez estive.
Queria visitá-lo desde que estudei arquitectura grega em História de Arte no Secundário e vê-lo ao vivo não me desiludiu minimamente.
Depois de alguns dias passados em Atenas, alugámos um carro para visitar o resto do continente, com várias paragens até Thessaloniki. Nesse dia partimos de Atenas com destino a Nafplio, uma paragem estratégica onde iríamos passar a noite antes de seguir para Olympia - pelo caminho iríamos visitar o tão esperado Teatro.
Antes ainda da hora de almoço paramos em Korinthos, para espreitar o canal e ver as ruínas. A surpresa chegou depois de almoço, quando chegamos ao carro e vimos que as nossas malas de viagem que achávamos estarem seguras no porta-bagagem tinham sido roubadas. Primeiro sentimos inércia, depois a negação, o pânico, a raiva, o completo desânimo... as coisas de maior valor estavam connosco, mas nas malas ia todo o resto... e ainda nos esperavam vários dias de viagem. Para alguém como eu, que gosta de ter tudo sob controlo e lida mal com imprevistos, isto era um acontecimento capaz de estragar toda a viagem.
Chamamos a polícia, tivemos e perdemos a esperança de encontrar as malas perdidas num canto, gastamos tempo inutilmente, ligamos para o banco, fizemos mentalmente a lista das coisas perdidas, das que eram irrecuperáveis, das que tinham que ser mais ou menos urgentemente substituídas... a inércia, o desânimo, a vontade de vingar-me de todos os gregos que eu não percebia e parecia que estavam a rir-se de mim.

Era já meio da tarde quando nos libertamos decididos a seguir viagem. Um pouco entre o medo da minha reacção, a resignação e o cansaço, o N. sugere: Melhor seguirmos então para Nafplio, não é? Mas eu nem sequer tinha considerado essa hipótese! Tinha ido até ali para ver o Teatro de Epidauro e era isso mesmo que ia fazer - e era melhor apressar-nos que já não devia faltar muito para fechar quando lá chegássemos.

Uma vez lá, sentada num daqueles degraus milenares, a admirar a imensidão que nos rodeava, nada mais me pareceu importante.
Queria tirar 1000 fotografias de vários ângulos, para não esquecer nada, mas do que me lembro melhor é da maravilhosa sensação de estar no degrau do topo, de olhos fechados, a sentir a brisa e o tempo a passar, como se nada mais existisse.

Fiquei surpreendida comigo mesma, mas consegui.
No fim do dia, na companhia de uma garrafa de vinho numa esplanada em Nafplio, já nos ríamos da nossa má sorte que afinal não era assim tão má: afinal de contas só tínhamos perdido uma mala e aquele momento mágico iria durar para sempre.

Com isto aprendi muita coisa: a levar o mínimo indispensável quando viajo, a dar menos valor a coisas materiais que na verdade não o têm, a rir-me de mim própria, a fazer um esforço para não estragar momentos irrepetíveis por coisas que não controlamos e que, se soubermos relativizar, conseguimos ultrapassar (não vou mentir: é um difícil work in progress!).
A leveza de pensar que não tínhamos muito mais para perder e de chegar ao aeroporto com um saco plástico meio vazio foi, na verdade, bastante libertador.

Espero que um dia também tenham a oportunidade de admirar este fantástico lugar! E que as fotos que lá tirarem vos recordem não só uma bela paisagem, mas uma inesquecível história.

EN
Not long ago I received the inspiration to share the story of a photograph of one of my favorite places. The Vantage Point project came from Light, a new camera technology company that aims to combine quality and versatility accessible to all.

Far from being a professional, I really like to photograph, especially when I travel. It's a way to record, remember, look at what surrounds us in a different way.
The photo I chose is only spectacular for its location - it doesn't present a very unique point of view, I didn't study the light, opening or speed (it was taken with a simple Bridge Panasonic DMC-FZ38 in auto mode), or capture something unique and never seen before. But it surely has a story.

Epidaurus Theatre, in Greece, is one of the most beautiful places I have ever been.
I wanted to visit it since I studied Greek architecture in Art History in Secondary school and seeing it live didn't disappoint me at all.
After a few days spent in Athens, we rented a car to visit the rest of the continent, with several stops up to Thessaloniki. That day we departed from Athens with destiny to Nafplio, a strategic stop where we would spend the night before heading to Olympia - on the way we were going to visit the long-awaited Theater.
Before lunch time we stopped at Korinthos, to have a look at the channel and the ruins. The surprise came after lunch, when we got to the car and saw that our suitcases we thought were safe in the trunk had been stolen. First came inertia, then denial, panic, anger, complete discouragement... the most valuable things were with us, but in the bags was everything else... and we still had several days on our trip ahead. For someone like me, who likes to have everything under control and deal badly with the unforeseen, this was an event that could ruin the whole trip.
We called the police, we had and lost hope to find the bags lost in a corner, spent time uselessly, we called the bank, mentally made a list of things lost, of those that were unrecoverable, of those that had to be more or less urgently replaced... inertia, discouragement, the will to take revenge of all the Greeks I didn't understand and seemed to be laughing at me.

It was already midafternoon when we were liberated and decided to move on. Somewhere between the fear of my reaction, resignation and tiredness, N. suggests: We'd better follow to Nafplio, right? But I hadn't even considered that hypothesis! I had come here to see Epidaurus Theater and that was I was going to do - and we'd better hurry because it wouldn't be long to closing time when we got there.

Once there, sitting in one of those ancient steps admiring the immensity around us, nothing else seemed important.
I wanted to take 1000 photographs from various angles, so I wouldn't forget anything, but what I remember best is the wonderful feeling of being on the step on top, with my eyes closed, feeling the breeze and the time passing by, as if nothing else existed.

I was surprised myself, but I did it.
At the end of the day, in the company of a bottle of wine on a terrace in Nafplio, we laughed at our bad luck that after all wasn't so bad: we only had lost a suitcase but that magical moment would last forever.

With this I learned a lot: to take the bare minimum when traveling, to give less value to material things that aren't actually worth that much, to laugh at myself, to make an effort not to spoil unrepeatable moments for things that are beyond our control and that if we are able to relativize, we can overcome (I won't lie: it's a hard work in progress!).
The lightness of thinking that we had not much to lose and get to the airport with a plastic bag half empty was actually quite liberating.

I hope one day you also have the opportunity to admire this fantastic place! And that the photos taken there record not only a beautiful landscape but an unforgettable story.

O Livro dos Homens sem Luz // João Tordo

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Thursday, 30 June 2016



Tudo, a seu tempo, se evaporara, como se as coisas fossem feitas de água. Os oceanos eram água, tal como os mares e os rios, e os beirais dos telhados quando chovia, e as poças no asfalto, e o corpo era água, e os meus olhos também. Naquele instante em que o mundo se tornou turvo, em que as formas das coisas se mancharam, senti pela primeira vez a vertigem da ilusão, uma ilusão que me tinha enganado toda a vida, convencendo-me disto, e depois daquilo, e sempre desmentindo, negando, roubando, levando aquilo que dera.

João Tordo, O Livro dos Homens sem Luz, p 200 

PT
Mais um livro de João Tordo e começo a ficar viciada nos enredos feitos de personagens angustiadas que nos levam a perseguir memórias, mistérios e fantasmas.

EN
One more book by João Tordo and I start to feel addicted to plots made of anguished characters that take us chasing memories, mysteries and ghosts.

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