Remade in Portugal "in-utilitas"

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Wednesday, 28 January 2015

Porto | Remade in Portugal
Porto | Remade in Portugal
Porto | Remade in Portugal
Porto | Remade in Portugal
Porto | Remade in Portugal
Porto | Remade in Portugal
Porto | Remade in Portugal
Porto | Remade in Portugal
Porto | Remade in Portugal

PT
antes vos falei da iniciativa Remade in Portugal.
Este ano, para a 8ª edição sob o mote "in-utilitas", foi a minha vez de também ter uma peça da minha autoria presente na exposição: a GULA (na quinta foto).
Hoje, mostro-vos o que ainda podem ver na Fundação EDP Porto até o próximo dia 1 de Fevereiro - a GULA e muito mais. Visitem!

EN
I told you before about the event Remade in Portugal.
This year, for the 8th edition under the motto "in-utilitas", it was my turn to also have a piece on display at the exhibition: GULA (on the fifth photo).
Today, I show you what you can visit at EDP Foundation, in Porto, until February 1st - GULA and much more. If you happen to be around, don't miss it!

GULA

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Wednesday, 21 January 2015

Ana Pina | GULA
Ana Pina | GULA
Ana Pina | GULA
Ana Pina | GULA
Ana Pina | GULA
Ana Pina | GULA
Ana Pina | GULA
Ana Pina | GULA

PT
Têm ainda alguns dias, até 1 de Fevereiro, para ver a GULA ao vivo, em exposição na Fundação EDP Porto, na 8ª edição Remade in Portugal "in-utilitas", mas chegou, finalmente, a altura de desvendar todos os segredos da peça... ou quase.
Leiam sobre o conceito, vejam aqui todas as fotos e diga-me o que pensam!

Quando a fome é gula

Se a fome é uma necessidade primordial, o prazer provocado pelo açúcar é um luxo só explicado pelo excesso da gula.
A joalharia está no limite entre o objecto útil e a aparente inutilidade da arte e nesse contexto, a joia será o açúcar que colocamos sobre a roupa que vestimos para dar-lhe mais sabor - para dotar o útil do luxo da beleza.

Enquanto a joia de prata é concretizada, o lixo acumula-se em forma de limalha - um pó prateado que lembra areia ou açúcar refinado. Se for recolhida, pode ser transformada de novo em prata possível de trabalhar, numa espécie de reciclagem circular. Mas porque não integrar a limalha na joia? Como se o lixo a que o luxo dá origem se tornasse, ele próprio, protagonista.

A GULA, celebrando o prazer de criar um objecto belo que pode ser usado, trata a limalha de prata como se fosse açúcar, integrando na mesma peça formas utilitárias reconhecíveis e transformando-as em elementos simbólicos que, descontextualizados e fora de escala, exaltam a sua inutilidade prática.
Quando usada, a GULA adverte para os perigos de cedermos ao prazer puro e simples, tornando o instrumento para alcançá-lo inacessível - porque se a fome é o sintoma de uma necessidade, a gula é, talvez, um prazer tão necessário como a beleza que anseia ser contemplada.

[A GULA é um colar composto por dois pendentes inspirados num bolo sobre um naperon e numa colher, em que o açúcar é representado pelo reaproveitamento de limalha de prata.
Materiais utilizados: prata 925, banho de ouro, limalha de prata, resina, pérolas de água doce e fio de nylon.
A palavra gula deriva do latim gula, que significa esófago, garganta, goela. Curiosamente, é também a palavra usada para açúcar, em indonésio.]

EN
You still have a few days until February 1st to see the piece GULA [gluttony] live, on display at EDP Foundation Porto, in the 8th edition of Remade in Portugal "in-utilitas", but I think it is the time to finally uncover all the secrets of the piece... or almost.
Read about the concept, follow this link for more photos and tell me what you think!

When hunger is gluttony

If hunger is a primary need, the pleasure caused by sugar is a luxury only explained by the excess of gluttony.
Jewelry lies between the useful object and the apparent uselessness of art and in this context, the jewel is the sugar we put upon the clothes we wear to add more flavor - to provide the useful of the luxury of beauty.

While a silver jewel is produced, garbage accumulates in the form of filings - a silver powder that resembles sand or refined sugar. If collected, it can be transformed back into silver possible to work in a sort of circular recycling. But why not integrate filings in jewelry? As if the garbage that luxury gives rise to could become the protagonist itself.

GULA, celebrating the joy of creating a beautiful object that can be worn, treats this silver filings as if they were sugar, integrating in one piece utilitarian recognizable forms and turning them into symbolic elements, decontextualized and out of scale, in a way to exalt its practical uselessness.
When worn, GULA warns about the dangers of giving in to the pure and simple pleasure, making the instrument to achieve it inaccessible - because if hunger is the symptom of a need, gluttony is perhaps a treat as necessary as the beauty that yearns to be contemplated.

[GULA is a necklace composed of two pendants inspired in a cake on a doily and a spoon, in which the sugar is represented by the reuse of silver fillings.
Materials used: sterling silver, gold plating, silver filings, resin, freshwater pearls and nylon thread.
The word gluttony derives from the Latin gula, which means esophagus, throat, gullet. Interestingly, it is also the word for sugar in Indonesian.]

SAAL // Museu de Serralves

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Thursday, 15 January 2015

Porto | Museu de Serralves
Porto | Museu de Serralves
Porto | Museu de Serralves
Porto | Museu de Serralves
Porto | Museu de Serralves
Porto | Museu de Serralves
Porto | Museu de Serralves
Porto | Museu de Serralves
Porto | Museu de Serralves

PT
Visitei já no ano passado, mas ainda vou a tempo de partilhar convosco as fotos da grande exposição dedicada ao Processo SAAL, patente no Museu de Serralves, no Porto.

Muitos já ouviram falar, mas poucos conhecerão detalhes ou terão visitado os bairros projectados durante este período de grande agitação social e política no país. Mesmo eu, enquanto estudante de arquitectura na FAUP, pouco terei aprendido de concreto acerca do SAAL e desconhecia parte dos edifícios agora em exposição (mea culpa). Talvez para compensar, tenha agora o privilégio de morar num dos exemplos mais icónicos (e mais particulares, dada a recuperação que sofreu mais tarde, em 2006) da obra do Siza no Porto desta época: o Bairro da Bouça.

O SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório Local) nasce depois do 25 de Abril de 1974 e promove a participação directa da população num processo social e arquitectónico complexo, que pretendeu responder às necessidades de habitação dos mais desfavorecidos. São 10 os projectos em exposição, da autoria de arquitectos com nomes muito familiares e são muitas as plantas, maquetas e fotografias que permitem ficar a conhecer a realidade da época e a forma como a arquitectura tentou responder-lhe - grande a diferença entre o que se fez naquele tempo e o que se faz agora, enorme a diferença entre o antes e o depois daqueles edifícios. Mas a exposição serve também como ponto de partida para a reflexão.

E sob o mote Arquitectura e Participação, foi-nos mesmo pedido que participássemos e no dia 14 de Dezembro tivemos ainda a oportunidade, enquanto moradores do Bairro da Bouça, de fazer parte da performance Composição para 128 Fogos: o espaço arquitectónico do bairro serviu de cenário e os moradores acabaram por ser actores, produzindo acções e ruídos normalmente privados, para a audiência que ia sendo surpreendida enquanto se movia ao longo dos três pátios que dividem os blocos de habitação.
Espero que tenham tido oportunidade de assistir, foi uma fantástica experiência!

Quanto à exposição ainda vão a tempo de visitar, até 1 de Fevereiro.

EN
Already visited last year, but there is still time to share with you some photos of the great exhibition dedicated to the SAAL Process, on display at Serralves Museum, in Porto.

Many have heard, but few know details or have visited the examples of social housing designed during this period of great social and political agitation in Portugal. Even I, as an architecture student at FAUP, little have learned about SAAL and was unaware of some buildings now on display (mea culpa). Perhaps to compensate, I now have the privilege of living in one of the most iconic examples (and more peculiar, after the recovery suffered later, in 2006) of Siza's work in Porto from this time: Bairro da Bouça.

SAAL (Local Ambulatory Support Service) was created after the April Revolution of 1974 and promoted the direct participation of the population in a social and architectural complex process that aimed to provide answers to housing needs of the most underprivileged. There are 10 projects on display, designed by architects with very familiar names and there are many technical drawings, models and photographs that allow us to get to know the reality of the time and how architecture tried to answer it - great the difference between what was done at the time and what is done now, huge the difference between the before and after state of those buildings. But the exhbition is also a pretext for reflection.

And under the motto Architecture and Participation, we were actually asked to participate and on December 14th we had the opportunity, while residents of Bairro da Bouça, to be part of the performance Composition for 128 Homes: the architectural space of the neighborhood served as scenario and the residents were eventually actors while producing actions and noises usually private for a surprised crowd as it walked along the three courtyards that divide the housing blocks.
It was such a great experience!

And if you're around Porto, don't miss the exhibition at Serralves: it's on display until February 1st.

A Máquina de Joseph Walser // Gonçalo M. Tavares

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Monday, 12 January 2015



Agir com um sentido importante era a normalidade do tempo de guerra e a preguiça era o seu oposto. Ver alguém a não fazer nada e a não querer fazer nada, causaria tanta estranheza e, provavelmente, tanto repúdio como ver em pleno jardim, na Primavera, um louco a repetir movimentos bruscos e acelerados: arrancando flores com violência, pisando canteiros, abrindo buracos na terra com os dedos. Em tempos de grande intensidade alguém que não soubesse para onde caminhava ou para que fazia aquilo que fazia, estaria louco, pois estaria abstraído dos acontecimentos. Afundar-se no mundo abstracto em período de guerra - momento absoluto do concreto, da matéria e das forças que chocam e combatem - era o mais violento dos actos. Talvez mesmo o mais imoral.
Klober, aliás, fizera já esta pergunta a Walser: o que é mais imoral nestes tempos: matar ou aprender geometria? E Walser nunca lhe soubera responder.

Gonçalo M. Tavares, A Máquina de Joseph Walser

PT
Provavelmente já tiveram a sensação de se sentirem inúteis por acharem não estar a fazer nada. Provavelmente já se vingaram de dias mais cansativos não fazendo coisa nenhuma - e não faz mal.
Tempos adversos podem alterar a nossa percepção da realidade, mas rapidamente voltamos ao estado de inércia natural quando os bons ventos trazem a prosperidade de volta. Talvez sejam as dificuldades que nos fazem crescer e inventar novos modos de avançar. Talvez a calma de uma época de paz nos faça esquecer a força que temos quando dela precisamos. Mas parecermos ocupados não é exactamente o mesmo que fazermos alguma coisa (útil) e talvez por isso mesmo a felicidade e o descanso nunca sejam completos. Talvez por isso a inquietação cresça sem precisar de água no peito dos mais insatisfeitos, mesmo em tempos em que a paz e a riqueza abundam.
A qualquer momento, as coisas inúteis que fazemos para nós próprios sem ideia de proveito revelarão a sua utilidade [Marguerite Yourcenar, Memórias de AdrianoCaderno de Notas].

Impossível ler Gonçalo M. Tavares sem ficar com a sensação de termos levado um encontrão - daqueles que nos deixam de boca e olhos abertos.

EN
[After reading Joseph Walser's Machine, by Gonçalo M. Tavares.]

You probably already had the sensation of feeling useless because you're not doing anything. You probably took revenge of more weary days by doing nothing at all - and that's ok.
Adverse times can change our perception of reality, but we quickly return to the natural state of inertia when the good winds bring prosperity back. Maybe it's the difficulties that make us grow and invent new ways to advance. Perhaps the calm of a time of peace makes us forget the strength we have when we need it. But to seem busy is not exactly the same as doing something (useful) and perhaps for that the feelings of happiness and peace are never complete. Maybe that's why disquiet grows without need of water in the heart of the most dissatisfied, even in times when peace and wealth abound.
In time, the useless things we do for ourselves without idea of benefit will reveal its usefulness [Marguerite Yourcenar, Memoirs of Hadrian, Carnet de Note].

Impossible to read Gonçalo M. Tavares without getting the feeling of having taken a push - one of those that leave us with the mouth and eyes open.

Ana Pina na exposição Remade in Portugal "in-utilitas"

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Tuesday, 6 January 2015




PT
2015 começa assim... com boas notícias e novos projectos!

É com muito prazer que vos convido para a inauguração da exposição Remade in Portugal in-utilitas, na Galeria da Fundação EDP, no Porto, no próximo dia 8, pelas 18h, onde tenho a honra de estar representada com a peça de joalharia GULA.

GULA, Ana Pina
Colar composto por dois pendentes, realizado em prata 925, prata 925 com banho de ouro, limalha de prata, resina, pérolas e fio de nylon.
Jogando com conceitos de utilidade e inutilidade, arte e objecto, necessidade e prazer, a GULA subverte o conceito de jóia, elevando o lixo ao estatuto de luxo enquanto reaproveita a limalha de prata como metáfora do açúcar e descontextualiza objectos úteis reinterpretados como peça de joalharia criada para ser usada e, essencialmente, admirada.

Aqui fica apenas uma amostra... para saber mais terão mesmo que ir ver ao vivo!
Esta 8ª edição Remade in Portugal (facebook aqui) poderá ser visitada até dia 1 de Fevereiro de 2015, contando ainda com um programa paralelo de conferências - saibam tudo aqui.

EN
2015 starts like this... with good news and new projects!

It is with great pleasure that I invite you to the opening of the exhibition Remade in Portugal in-utilitas, in the Gallery of EDP Foundation in Porto, on January 8th, by 6pm, where I'm honored to be represented with the piece of jewelry GULA [gluttony].

GULA, Ana Pina
Necklace composed of two elements, executed in sterling silver, gold plated sterling silver, silver filings, resin, pearls and nylon thread.
Playing with concepts of utility and futility, art and object, necessity and pleasure, GULA subverts the concept of jewel, bringing the waste to luxury status as reuses silver filings as a metaphor for sugar and decontextualizes useful objects now reinterpreted as piece of jewelry designed to be used and, essentially, admired.

Here is just a teaser... to know more you should see it live!
This 8th edition of Remade in Portugal (facebook here) can be visited until February 1st, and will have a parallel program of conferences - get to know more here.

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